16.10.2009
Notícias
Por Ludmylla
09.10.2009
Notícias
Por Ludmylla
09.10.2009
Notícias
Por Ludmylla
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Gênero Ensaístico
O Gênero Ensaístico se caracteriza por ............
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Ensaio
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Autor: Clóvis Stoquini
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27.09.09 |
Vivemos num mundo de aparências e faz de contas elaboramos metas que possa impressionar mais os outros do que satisfazer a nós mesmos. Buscamos o reconhecimento do nosso amigo ou parente e até mesmo o vizinho, colegas de trabalho enfim de toda sociedade. Não importa qual a nossa atividade temos o desejo de ser reconhecido pelos que nos cercam. São vários os exemplos; um traficante busca uma melhor posição no grupo que opera para ser reconhecido como o mais eficaz e o mais destemido entre eles. O assassino quer o reconhecimento por ser o mais sanguinário e violento e audacioso entre a sua gangue. O estelionatário também almeja receber as glorias de serem o mais astuto e inteligente dias atrás ouvi numa conversa num ponto de ônibus dois homens que contavam as presepadas de um bandido que tinha ludibriado a policia e conseguido escapar do cerco armado pela mesma. Um deles contou maravilhado como o bandido fez para enganar os policiais e terminou arrematando que admirava a inteligência do bandido e sua capacidade e engenhosidade de praticar o mal. Está é a recompensa e o reconhecimento ao qual o bandido julga ter o direito de receber. Lutamos para sermos reconhecido em todas e qualquer atividade que viemos a executar. Também queremos ser reconhecidos pelos bem ou mal que praticamos em relação ou nosso semelhante. Quando doamos algo de nós mesmos ou damos algo que oportunamente subtraímos de outrem, seja como for queremos ser reconhecido pelo que acabamos de praticar. É o reconhecimento o maior objetivo que queremos receber dos que nos cercam. Um aluno que muito se esforça quer que o professor e os demais docentes e até a administração escolar dê-lhe os devidos créditos e o devido reconhecimento pela sua capacidade e esforço para alcançar o melhor resultado. Também no trabalho um empregado deseja ser reconhecido pelo que se esforçam para produzir muitas vezes alem do dever, não só nos seus honorários mais também nas homenagens e prêmios entre outros agrados, até uma palavra amiga e de incentivo pode causar um bem estar e até alimentar um ego carente. Um político que ser reconhecido através do voto e da mídia eleitoreira. Um advogado quer sentir o seu devido valor e ser reconhecido pelas causas que lhe pagam para ganhar, mesmo assim vê na vitória uma boa oportunidade de ser engrandecido pela sua classe e pelo sistema judiciário em geral. Um artista vê nos aplausos a sua maior satisfação e o reconhecimento do publico que lhe ovacionam depois do termino do espetáculo. Nos trabalhos artesanais a necessidade de ser reconhecido pelo talento inato é uma constante na vida dos que praticam este tipo de atividade, seja uma escultura o mesmo uma pintura óleo sobre tela há o desejo de ser engrandecido pelo bom resultado obtido. Não importa o que façamos achamos que temos o direito de sermos homenageados e admirados pelo que somos capazes de fazer. O reconhecimento não é apenas uma questão de excentricidade humana, mas ante é a própria necessidade de sabermos que temos o mínimo de valor nas coisas mais simples a qual nos dedicamos e nos pomos há fazer. Ser reconhecido é uma questão muito mais ampla do que podemos pensar. Ser reconhecido é um desejo da alma e do espírito. Vejamos quando Deus puniu o povo hebreu no deserto. Fez lembrar as obras que Ele tinha feito como os livrar do cativeiro no Egito e depois atravessar o mar vermelho. Queria ser exaltado pelo povo hebreu, ou seja, ser reconhecido pelos favores prestado por Ele ao Seu povo na terra. E isso é justo e perfeito e devemos seguir este exemplo e pedir e até exigir que sejamos reconhecidos não só pelo que façamos mais até pelo que demonstramos aos nossos (as) companheiros (as). Numa casa duas pessoas dividem o mesmo teto. Marido e mulher. Ambos são repensáveis por uma parte do trabalho que uma casa tem. E retribuímos ao que coabita conosco sempre com um elogio. Tipo que comida gostosa. Ou que pintura bem feita. Seja o que for basta uma palavra para satisfazermos o ser amado (a) um gesto de compreensão é muito importante no relacionamento de duas pessoas que se amam ou se julgam se amar. Pela manhã podemos dizer você parece que esta mais bonita do que ontem! Há é o meu novo tipo de penteado. Você gostou? Podemos observar que palavras doces sempre surtem mais efeitos do que dinheiro ou outros presentes. Dizer bonito o seu terno novo ou sua camisa. Trás satisfação para quem o está usando. Isto é reconhecimento isto é o que desejamos ouvir quase que todo o tempo. Quando o nosso filho faz um desenho todo deformado ao invés de dizermos para ele caprichar mais devemos dizer. Oh! Foi você que fez está obra de arte? Pode parecer tolo, mas é gratificante para criança ver o seu pequeno talento ser reconhecido é um estimulo para e mesma criança continue a fazer outras coisas só para receber um agrado, um elogio. Temos o direito ao reconhecimento, temos obrigação de reconhecer os talentos dos outros. Quando executamos qualquer atividade e damos o melhor de nós mesmos é porque queremos receber de volta algum tipo de agradecimento e de reconhecimento justo e verdadeiro sem aquelas palavras obsoletas da adulação, queremos ser elogiados, mas não com falsidade. Tem que ter autenticidade, ser verdadeiro, ser honesto. Devemos elogiar sim, mas não com pretexto tosco de angariar algum privilegio isto é imundície. Diria até que é safadeza, mentira que não condiz com a verdade, é lisonja enganadora. Um ser que age assim é peçonhento. Não merece a nossa companhia. O homem busca no reconhecimento de sua atividade a certeza de que realizou o melhor de si mesmo e que seu trabalho não foi em vão, antes foi aceito pelos demais. E isso é muito bom para o seu amor próprio e para se ego. É a paga perfeita é a gratificação o reconhecimento pelos seus esforços. Faça o melhor de si mesmo e será reconhecido o seu talento e ainda arrecadará frutos preciosos no futuro, sem contar que terá muito orgulho de si mesmo quando um dia parar e olhar para trás. Desejo a todos uma boa sorte e muito reconhecimento puro e verdadeiro... A luta pelos ideais é uma necessidade latente que não deve se abandonada, antes devemos nos encorajar cada vez mais e mais até conseguir o nosso objetivo final o reconhecimento por tudo que fizemos em nossa tão curta vida nesta terra. |
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Ensaio
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Autor: Clóvis Stoquini
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27.09.09 |
Em um dia cujo sol alegrava toda natureza com sua exuberância e esplendor eu ficava deitado por sobre a relva ouvindo ao fundo o som de um pequeno riacho de águas cristalinas em que coloridos peixinhos nadavam despreocupadamente. Na grama verde diante de um verdadeiro mar de alegres sempre vivas amarelas e uma imensa quantidade de bem-me-quer das pétalas brancas e amarelo. Uma pequena paisagem bucólica que cuja alegria me embebedava de prazer tirando de mim toda lembrança de um mundo ensurdecedor e já ido. Pássaros canoros sobrevoavam por toda parte trinando alegremente e pousando no meio de galhos revestidos de exuberantes folhagens nas pequenas arvores que se erguiam uma aqui e outra acolá. O céu límpido refletia o azul claro por todos os lados. Tudo era paz, tudo era vida. Eis que numa visão clara surge um anjo. Um ser de rara beleza cujo esplendor me transportava pra além de minha própria imaginação. Tinha olhos claros como o céu e de igual azul. Cabelos finos e macios que parecia painas amareladas de intenso brilho. E sua cútis tão bela... Macia como a pele de um pêssego maduro e suave como o mais puro veludo acetinado. Conforme os raios do sol filtravam através de seus cabelos dava a nítida impressão o sol nascia dali. Seu corpo feminino de formas alongadas cuja silhueta dava impressão de um sábio e destro escultor ter lhe talhado no mais puro cristal. Seus braços terminavam em finas mãos de dedos longos e esguios e unhas de fino trato, um anel de riquíssima beleza brilhava no dedo indicador de sua mão direita que insistentemente apontava em riste para mim. Pasmado diante de tal formosura observando sua silhueta contra luz do sol. Aquele corpo de mediadas perfeitas tudo era muito lindo e muito real. Seus pés tocavam a grama que parecia que ela voava de tão leve que era seu ser. Abriu um sorriso entre seus finos lábios da cor de mel. E com voz doce como a de uma linda canção. Disse. ? Sou a filha pródiga de seu desejo e de sua ansiedade. ?Buscas-te a mim na sua imaginação e aqui estou para que você saiba que nem tudo esta perdido mais antes pelo contrario tudo pode ser melhor para os que buscam com afinco e amor próprio. ?No fundo de seu coração têm as resposta que tanto procura. Então me levantei e com olhar embaraçado e meio desconcertado caminhei em sua direção e ainda meio vacilante peguei na sua mão e pude sentir a sua maciez e o seu calor. Enquanto olhava no fundo de seus olhos e penetrava o âmago de sua alma e a luz que dali provinha era translúcida e enfeitiçava o meu frágil ego fazendo me transpor os mistérios de minha própria existência. Numa continua ação e reação me reestruturava a cada novo movimento das órbitas de meus olhos dentro dos dela. No indo e vindo de meus pensamentos viajava cada vez mais no profundo de uma consciência egocêntrica até atingir a luz de minha própria essencia e a divindade que de mim emana com se fora a luz do imensurável, então vi aminha fraqueza que ia de fora para dentro e minha fortaleza que vinha de dentro para fora. E a voz de Deus que disse: ?Agora tu me conheces e sabe que habito também em ti, assim como tu habitas em Mim. Num movimento lento ela beijou o meu rosto pude sentir seu lábio doce como o puro mel do campo. Então me sobreveio uma compreensão de que tudo era real e que aquilo não era mais uma fantasia ou sonho. Era a mais pura realidade a mais sublime luta de meu ego contra o meu medo. Que doravante se transportará para minha realidade em forma de uma criatura doce e meiga que vinha me ajudar a encontrar o meu caminho e minha vida. Ela não é eu, nem eu sou ela. Ela é a realização de minha fantasia mais arrojada, ela é o desejo que vingou a minha inoperância e como Fênix que ressurgi das cinzas assim ressurge a minha amada e eleita dos sonhos mais perfeitos e da ilusão sem limites e do gosto pelo que é belo e pelo desejo próprio de homem. Com movimentos leves abracei sua cintura e pude sentir o seu corpo junto a mim então eu via toda essencia da alma sendo expandida pelo espaço com um vento veemente. Era o vento da liberdade tocando meu ser. Afortunado sou pensei! Sim sou afortunado tenho dentro da minha alma a esperança à fé e a força devoradora que sobrepuja os meus medos e me impulsiona para rumo do mais alto dos montes. Que faz retornar seu desejo que muito se fez morto. É o renascer constante da vida em si mesma. Ela colocou seu braço por sobre meu pescoço e segurou minha mão esquerda e comecemos a dançar como que ouvindo música, e incrível! É que tinha música de suave melodia. Bailávamos leves como pluma. O perfume de seu corpo espalhava pelo ar. E toda a natureza se exaltava era uma imensa festa no seio da campina. Os pássaros surgiam aos montes e todos alegres a salientes descendo e subindo cantando ao ritmo de uma poderosa melodia. Finalmente paramos como que por encanto e deixei levar-me pelos braços de minha doce e terna amada, beijei-a com sofreguidão e sentia seu ar enchendo os meus pulmões de vida renovada com o ar do amor refeito. Em sim mesmo e por si só. Nosso momento de um amor metafísico sublime e imortal. Nesta entrega voluntária de um para o outro nos dávamos um para o outro e a nós mesmos um pouco de que queríamos receber de volta. Sublime fantasia, sublime realidade. Era a volúpia de um amor insaciável se entregando a cada novo abraço. Deixamos nossos medos de lado, despimos nossa timidez rasgamos nossos receios e nos deixemos envolver pelo fogo farto da paixão que emana do interior da alma apaixonada tomada pelo amor que transcende a malicia do vitupério da carne. Para alcançar a mais esplendida harmonia entre o divino e o mundano num raro momento em que o céu encontra a terra para sentir os deleites do amor. Somos carne, somos espíritos e somos também o nosso desejo mais obscuro ou mais obcecado e nem por isso menos importante. Somos frutos de nós mesmos e do amor Divino que Deus concede para nós pobres mortais. Somos a eminência da carne ou a decadência do espírito. Ou vise versa. Mais não podemos ser ambos, pois onde o espírito subrpuja cai a carnalidade e onde a carne sobre-sai desaba por terra toda espiritualidade. É da entrega simultânea de dois corpos que vem o amor e junto recebemos a luz maior de nossos desejos mais maduros e mais gostosos que consiste em dar e receber com o mesmo prazer da mutua entrega descompromissada mais ao mesmo tempo desejosa de ser reconhecida pelo parceiro. Se o sublime do amor é a total entrega também é recíproca a idéia de que sem se dar não há amor mais apenas a carnalidade mundana. Amor do espírito verdadeiro e imortal, neste clima de harmonia e encantamento os nossos corpos ia inflamando-se de desejo. É o fogo do desejo acendendo a volúpia da paixão. Então como um passe de mágica o meu ser festejou em fim o amor que a muito havia sido delatado de dentro de meu ser. ? É o amor! É a vida! E eu e ela vendo a vida de cima do amor alado de asas flamejantes e galopes largos no espaço infinito do desejo de ser amado. Como num sonho dourado. Ah! Desejo de desejar! Oh! Vontade de ter vontade! Oh! Volúpia de amor obsceno de paixão envolvente cuja carne se entrega as caricias do prazer mundano. Depois veio o silencio apenas o murmúrio da águas cristalinas do pequeno riacho que insistia em continuar cantando alegremente como antes e como se nada tivesse ocorrido. O sol já ia se ocultando atrás das montanhas ao fundo, os pássaros indo para seus ninhos e o som da tarde dando espaço para os rumores da noite que se aproximava cobrindo tudo com seu manto escuro e as estralas do firmamento vinha de longe para entender um pouco mais deste amor que ainda eclodia nos céus. Então me levantei e peguei minha amada pela mão e caminhamos descompromissadamente rindo de nós mesmos e rindo para o mundo que nos acolheu e que reconheceu o amor que vinha do âmago de nossas almas e da consciência de nossos desejos mais profundos. Enquanto caminhávamos fui aproximando de mundo que por um instante tinha desaparecido por completo mais que agora não assustava mais. Ainda podia ouvir o canto de um rouxinol ecoar em meu ouvido. Ah! Que dia! Em que sobre as relvas da ilusão deixei deitar o meu coração. Dei de mim mesmo, dei da minha alma as delicia do meu néctar que docilmente borbulhava nas taças do prazer. E gritei. Vem a mim o meu amor como se nunca antes me amasse tão deliciosamente com caricias que dos que se amam sem jamais desvanecer e doando de si para si mesmo e para tudo a que o amor seduz. Um amor que reflete todo apogeu e os píncaros da gloria e que aflora pela pele e pelos olhos do ser amado. E se deixa entregar ao que conquista o nosso interior mais sublime, mas não tira nada dali, antes deposita um pouco mais de si mesma para que a obra fique por completa. Pois se tira é apenas o grande prazer deste momento infinito enquanto durar. |
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Ensaio
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Autor: Clóvis Stoquini
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27.09.09 |
Oh! Minha amada a quem quero. Busquei-te por toda noite, mas só me vieste pela manhã. Ah! Queria ter repousado minha cabeça em seu colo e sentir tuas finas mãos acariciar minha fronte. Sentir iria o teu doce perfume, mas só vieste pela manhã. Teria me aconchegado em teus braços e murmurado desejos indecifráveis e falaria então do meu puro amor, mais só vieste pela manhã. Deitaríamos sobre a areia da praia aonde a lua vem banhar-se, mais só vieste pela manhã. Meu corpo flutuaria de desejo e tu me possuirias como nunca antes o pudeste, mais só vieste pela manhã. Beberia do seu leite no deleite eu beberia e me embebedaria deste teu desejo de amar, mais só viste pela manhã. Entregar-me-ia a minha fantasia ao desejo insólito do meu coração e minha alma vagaria em lindos devaneios de amores febris, mais só vieste pela manhã. Quem sabe poderíamos ter dançado aos sons das ondas do mar, mais só vieste pela manhã. É agora já é de manhã, o povo passa apressadamente cada qual pro seu trabalho. O sol já vai bem alto. Na rua carros buzinam sem cessar, fumaças, crianças e o corre e corre do dia-dia, agora tu me vens chegar, me perdoe, mas agora eu vou trabalhar. Vieste tarde eu garanto não posso mais te entregar as caricias que outrora eu queria te dar, seriamos um só corpo. Seriamos o verbo amar, mas agora é tarde tenho que ir trabalhar. Não importa onde tu andaste a noite, importa que não pude te achar, até debaixo das ondas te juro, eu fui procurar. Se estava nos braços de outro ou ainda em outro lugar agora já é tarde eu garanto tenho que ir trabalhar. Mas nova noite então vira novamente. Juro-te não mais ire te buscar. Pois nesta noite meu bem prometo que vou descansar, pois minhas lagrimas secaram ao vento na noite que te fui procurar. Se um dia ainda lembrares-se de mim, por favor, não me procures encontrar, pois dentro dos seios da noite é que vou me embrenhar, talvez a dona da noite nos seus braços me queira levar, nesta noite então eu garanto nunca mais ireis me achar, pois nos braços da noite irei para o espaço a voar por tempo que não tem fim, por tempo que há de chegar. Vais buscar teus amores, vai ao prazer te entregar. |
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Ensaio
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Autor: Clóvis Stoquini
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27.09.09 |
Voando nas asas do vento. Saí eu a cavalgar. A luz do teu amor me guiava não tinha com que me preocupar. Levava comigo só o desejo de te desejar. Não tinha alforje e ou sequer roupa a me incomodar, estava livre como a brisa e sem horas de voltar Passava pelas nações e a multidão ficava a admirar a eterna juventude de quem não tem medo de amar, se ao amor eu me entregava e com amor me deixei levar pela mão da minha amada que ousava a me amar. O mundo olhava assustado, pois, não podiam entender os desejos de quem ama é apura vontade de viver. Tirando de dentro si tudo aquilo que ninguém te pode dar, abrindo as portas da mente com a chave do coração. Neste meu amor ardente rodeado pelas emoções. Na terra milhões se espremiam e acotovelavam para olhar no céu claro do inverno o meu amor a desfilar. Que vinha com brilho tamanho que nem o sol o pode igualar, é o brilho de quem se ama, é o brilho de quem sabe amar, esse brilho é o desejo de quem aprende a se entregar ao amor mais puro e verdadeiro que não se podem expressar com palavras ou mesmo gestos nem aqui e nem em outro lugar. Amar é ser feliz, ser feliz é amar. Tem gente que anda nas trevas só por ter medo de amar. Já fui assim eu confesso tinha medo de amar e mais medo ainda de me entregar, pois, tinha eu receio caso me entregasse nunca mais poderia me achar, então estaria perdido e nunca mais iria amar. Mas descobri que quando mais me entrego mais me acho neste lugar e quanto mais vou me achando maior é a vontade de amar. |
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Ensaio
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Autor: HELIO DE AZAMBUJA RODRIGUES
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25.09.09 |
PALCO COM POUCA LUZ.
ENTRA UM SUJEITO COM ROUPA DE FAZ-TUDO E BONEZINHO FURRECO, VARRENDO O CHÃO. CANTAROLANDO UMA MÚSICA BREGA. PARA NO MEIO DO PALCO( DE COSTAS PARA A PLATÉIA), OLHA EM VOLTA, DESLUMBRADO E FALA:
FAZ-TUDO : - Luz!
ACENDE A LUZ DO PALCO COMO MAGIA. FAZ-TUDO, DESLUMBRADO, NÃO REPARA QUE A PLATÉIA ESTÁ CHEIA.
FAZ-TUDO: Caraca!!! Como é mágico meRmo esse negócio de teatro!! Lugar onde tudo que é de mentira vira verdade... Nossa!! Olha... Bem que eu queria ser ator, viu?... Falar aqueles poema bonito... Receber as palma da platéia...
FAZ-TUDO, VIAJANDO, ABRE OS BRAÇOS, COMEÇA A ANDAR PARA FRENTE DO PALCO ( DE COSTAS) - COMO SE FOSSE RECEBER OS APLAUSOS DA PLATÉIA. AO FAZER A REVERÊNCIA, TOMA UM SUSTO.
FAZ-TUDO : Eita!!Oh, pessoal!!!! O que vocês tão fazendo aqui??!?! Olha, não era pra vocês entrarem agora não... A peça só começa daqui uns 15 minutos... Oh, Lurdinha!!!! (CHAMANDO ALGUEM NA COXIA) Lurdinha! Olha aqui! A platéia já entrou... Ta tudo aqui, ó! Vem alguém pra tirar esse povo daqui... Tenho que varrer os banco ainda... Depois a culpa é minha... Lurdinha! Oh, Lurdinha! NINGUÉM RESPONDE... FAZ-TUDO VOLTA A VARRER E VAI FICANDO SEM GRAÇA.
FAZ-TUDO: É... é... Boa noite, né?! Boa noite! Olha só... Alguém se enganou e deixou vocês entrar aqui... mas não ta na hora não... Mas já que entraram, né? Não repara não... Vou só limpar o palco aqui e a peça já vai começar, ta?... Dá licença... Fica a vontade aí... (E VAI VARRENDO) Só vou pedir pra desligar o celular, mó de não atrapaiá os atores e não colocar o pé no banco porque depois eu tenho que ficar limpando aí...
Ah, vou aproveitar também e pedir pra ninguém jogar “chicrete” no chão, porque depois que gruda, é mó brabeira pra tirar... Papel de bala, chocolate, joga tudo no lixo quando sair, ta?
FAZ-TUDO DÁ UMA PARADA REPENTINA DE VARRER, OLHA PRA PLATÉIA COM CARA DE QUE TEVE UMA IDÉIA, DÁ UNS PASSOS PRA TRÁS E VÊ SE VEM ALGUÉM DA COXIA... FAZ-TUDO: É... Bem... Olha só, eu não sou ator não... Mas eu sei recitar uns poeminhas...Quer ver?? Olha só... DÁ MAIS UMA ESPIADINHA NA COXIA. FAZ-TUDO COMEÇA A SE AJEITAR DE TODAS AS MANEIRAS PRA FICAR BEM BONITO, AJEITA A POSTURA, SE POSICIONA COM MUITA CLASSE. LARGA A VASSOURA DE QUALQUER MANEIRA NO CHÃO.
FAZ-TUDO (FALA COM ELE MESMO): Ai, meu Deus! É agora... É a minha chance... (SE BENZE)... (recita algo ridículo em forma de poema) – (A ESCOLHER) AO TERMINAR, FAZ UMA REVERENCIA A ESPERA DE APLAUSOS DA PLATÉIA.
DA COXIA, OUVE-SE UMA VOZ! É LURDINHA: Oh, Faz-Tudo!! O que você ta fazendo aí?!?! Esse palco já era pra ta limpo há muito tempo!
LURDINHA ENTRA CORRENDO, PEGANDO FAZ-TUDO PELO BRAÇO, SEM OLHAR PARA PLATÉIA.
FAZ-TUDO, DISCRETAMENTE EXAGERADO, TENTA MOSTRAR QUE A PLATÉIA ESTÁ VENDO.
LURDINHA PERCEBE O MICO QUE ESTÁ PAGANDO E FICA SEM GRAÇA. LURDINHA: Oh, gente! Desculpa... É que... É que... Esse palco já era pra ta limpo, sabe? E como o bilheteiro deixou vocês entrarem antes do tempo, esse idiota aqui nem era pra ta perturbando vocês! Estamos só aguardando os atores chegarem...
O lindo ator LEANDRO RODRIGUES está preso no engarrafamento, e a (DEBOCHANDO) senhorita VIVIAN WEYLL se atrasou no salão fazendo o cabelo... Mas eles já vão chegar... É só o tempo de... O CELULAR DE LURDINHA TOCA.
FAZ-TUDO TOMA UM SUSTO LEVE E FICA ATRÁZ DELA COMO SE QUISESSE OUVIR A CONVERSA. LURDINHA Ui!... (RISO SEM GRAÇA): Dá licença, gente! Desculpa... Alô? (DEBOCHANDO) VIVIAN WEYLL... Oi... Onde você está, linda?? A platéia já toda aqui!!!.... É, a platéia... Que?? Como não vem?? Tá doida??(QUERENDO ESCONDER A CONVERSA DA PLATÉIA) Ai, desculpa! Tá, me exaltei... mas a senhora tem que vir... Tá todo mundo esperando... Ahh, mas vem com o cabelo assim mesmo... (DEBOCHANDO) O cabelo da senhora é tão lindo!!! Tá ótimo do jeito que tá!... (DESESPERO) Mas VIVIAN... Como é que... Que?? me virar??... Tá doida? Ai, desculpa de novo... Isso não vai se repetir... (IMPLORANDO) Vem, por favor! A senhora tem que... Alô?!?! VIVIAN?!?!?! Alô?!?!... Desligou, cara! FICA IRRITADA E LOGO SE LEMBRA DA PLATÉIA. FICA MAIS SEM GRAÇA AINDA. FAZ-TUDO DISFARÇA E VOLTA A VARRER.
LURDINHA: Fudeu! Ai, desculpa, gente!... É... Olha só... Seguinte... Acho que o lindo ator LEANDRO RODRIGUES, vai ter que fazer essa peça sozinho... Ele já ta chegando... Tenho certeza que pra ele isso é fácil... Ele é ótimo, gente! (SE EMPOLGANDO)... Vocês têm que ver ele atuando... É maravilhoso!! Uma vez ele fez um personagem gay, né? (O CELULAR TOCA DE NOVO, MAS LURDINHA NEM PERCEBE...) Olha, eu cheguei a pensar que ele fosse gay de verdade, vocês acreditam?!?! Nossa!!! Foi perfeito!!! (CELULAR CONTINUA TOCANDO) Mas é... A gente fica com esse negócio na cabeça de que todo ator é bicha...
(FAZ-TUDO COMEÇA A TENTAR AVISAR DO CELULAR Q TOCA SEM PARAR) aí a gente acaba... Ai! Desculpa... Rapidinho... ATENDE O CELULAR COM UM GRANDE SORRISO E SE DERRETENDO TODA.
LURDINHA: Oi! LÊ! Tudo bem? Já chegou no teatro? (OLHA PRA PLATÉIA MOSTRANDO A INTIMIDADE COM O ATOR) Não? Como não?? (MUDANDO O HUMOR) Não vem??? (DESESPERADA) Como assim?? Você também?? Mas... o que houve??... Bateu?? Mas... Pega um taxi!! (QUASE CHORANDO) Não... Não faz isso comigo!!! Por favor!!!! Eu não tenho o que fazer com essa platéia toda aqui!!!... É... A platéia já ta toda bonitinha sentada aqui... Que? Enfiar aonde?? (IRRITADA) Me virar???? Tá doido??? Ai, desculpa! Mas é que... Eu não tenho como mandar todo mundo embora, Lêzinho... Vem, por favor!! Alô?! Lê?! LEANDRO!!!!!! ... ... Desligou! (XINGANDO O CELULAR) Gay! Puta que Pa....
(PERCEBENDO A PLATÉIA)...Ai, foi mal... Gente, to fudi... É! Fudida!!!! E agora??... LURDINHA COMEÇA A PENSAR, ENQUANTO FAZ-TUDO CONTINUA VARRENDO, NEM AÍ PRO QUE TÁ ACONTECENDO. LURDINHA ENTÃO TEM UMA IDÉIA.
LURDINHA: Faz-Tudo!! Vai lá dentro, pega um cenário qualquer e todos os objetos que você encontrar e traz pra cá! Rápido!!! FAZ-TUDO Sim, senhora... É pra já! (BATENDO CONTINÊNCIA) LURDINHA COMEÇA A EXPLICAR AO PÚBLICO.
LURDINHA Bem... É... Nós tivemos uns probleminhas técnicos, mas vocês podem ficar tranqüilos que eu já vou resolver tudinho... Não é nada demais... E podem ter certeza que vocês terão uma peça maravilhosa... (FALANDO EM VOZ BAIXA PRA ELA MESMA) Tenho só que arrumar uns atores... (PEGANDO O CELULAR) qualquer merda serve... Esses atores hoje em dia vivem mendigando trabalhos pra aparecer... Escrevem qualquer besteira pra poder trabalhar...
(FAZENDO SINAL COM A CABEÇA APONTANDO PRO FAZ-TUDO)... FAZ-TUDO ENTRA EM CENA COM UNS BAGULHOS ENCONTRADOS NA COXIA. UM PAINEL ROSA, UMAS ESTRELAS PRATEADAS, UM BAÚ COM DIVERSAS ROUPAS VELHAS E OBJETOS QUE SERÃO USADOS DURANTE A PEÇA.
FAZ-TUDO: Lurdinha, oh, achei uns trecos aqui que deve servir pro que você quer... (LURDINHA NEM OLHA E CONTINUA PROCURANDO ALGUEM PRA LIGAR. “FAZ-TUDO” COMEÇA A MONTAR O CENÁRIO) Essa lona bonita aqui, umas estrelas... Oh, oh como brilham!! E tem mais um monte de coisas aqui dentro... É só a senhora escolher aqui.
ATÉ QUE LURDINHA, SEM OPÇÃO, COMEÇA A REPARAR NO FAZ-TUDO.
FAZ-TUDO (DE COSTAS PRA LURDINHA): Eu não sei muito bem o que a senhora pretende fazer com isso tudo não, mas pela cara da senhora, eu acho que vão servir para não ser mandada embora, né? Pois eu, se eu perco o meu emprego... Hã! Já era, né? A Dona Encrenca me bota pra fora de casa... Imaginou?? Mas eu sou um trabalhador e tanto, né? - “Faz-Tudo faz isso! Faz-Tudo faz aquilo! Faz-tudo se vira!...”
LURDINHA: Fa Tudo!!! (COM TOM DE AMIZADE) Faz-tudão!! Não é atoa que te chamam assim, né?? Olha só... O negócio é o seguinte... Eu já ouvi você falando aí que seu sonho é ser um grande ator, né?? FAZ-TUDO PARA DE FAZER O QUE TÁ FAZENDO E COMEÇA A PRESTAR ATENÇÃO NO QUE LURDINHA TÁ FALANDO.
FAZ-TUDO: É... Eu sempre quis ser ator... Até recitei um poeminha pro pessoal aí... Não foi, gente?! Não falei bonito?!? LURDINHA: Tá... tá... tá... Eu vi, Faz-Tudo! Quem é que você acha que acendeu a luz do palco??...
FAZ-TUDO: Ué?!?! Não fui eu não?!?! (CARA DE DECEPÇÃO) LURDINHA (VOLTANDO A IDÉIA): Mas então, Faz-Tudo... Chegou a sua chance! FAZ-TUDO: Minha Chance?!?!! (EMPOLGADO E SE AJEITANDO) E quando é que eu começo?? Na próxima peça?? Vou fazer que “personage”??
LURDINHA: Próxima?? Que próxima, Faz-Tudo?? É nessa!!! É hoje, Faz-Tudo!
FAZ-TUDO: Ho.. Ho.. Hoje?!?! Como assim hoje??
LURDINHA: Ué? Você quer ou não quer ser ator?
FAZ-TUDO: Quero! Claro!
LURDINHA: Então... Todo bom ator é igual a grávida no último mês, meu amor... Tem que estar pronto pra qualquer hora.
FAZ-TUDO: Mas... Mas você acha que eu levo jeito??
LURDINHA: Se você leva jeito?!?! Faz-Tudo, você acha que eu sou assistente de direção a toa?? Eu conheço um ator! Eu sinto o cheiro de um grande talento de longe! E você... Você é um ator nato! Nasceu pra arte! FAZ-TUDO SE ENCHE DE ORGULHO.
FAZ-TUDO: É?? Você acha mesmo??
LURDINHA: Tenho certeza...
FAZ-TUDO: Tá!... Mas e aí?? O que eu tenho que fazer?? Qual o papel que eu vou fazer???
LURDINHA SE VÊ ENCRANCADA DE NOVO E COMEÇA A PENSAR NUMAS IMPROVISAÇÕES, FAZ-TUDO CONTINUA VIAJANDO E ENQUANTO VAI FALANDO VAI ENCENANDO AS IDÉIAS.
FAZ-TUDO: Um mocinho? Daqueles que salvam a princesa com um beijo chupa-ralo no final... (IMITA BEIJO EXCRACHADO) Ou um galã! Tipo aquele “Antunes Fagundes”... Que é ricão... As mulherada tudo dão em cima dele... Mas eu não tenho essa pinta não, né?
LURDINHA VAI REVIRANDO O BAÚ, VENDO O QUE TEM DENTRO.
FAZ-TUDO: Ahh... Um assassino! (FAZENDO CARAS E BOCAS) Mal... Muito mal! Que pega as pessoas pra arrancar as tripas delas e... Ah, se bem que lá perto de casa tinha um cara assim... Ele não durou muito não... Morreu cedo... Aí nem vai dar tempo pra eu mostrar meu talento... Porque você falou que eu tenho talento, né?... né, Lurdinha?
LURDINHA (SEM DAR ATENÇÃO): É, Faz-Tudo! Deve ser... Sei lá...
FAZ-TUDO (CONTINUA EMPOLGADO): Então... E se eu fizer um bêbado?? Hein?? Caraca! Tenho certeza que bêbado seria mole pra mim, né? Afinal eu adoro tomar uns rabo-de-galo... (RISINHOS SEM GRAÇA)... Mas bêbado todo mundo deve tá de saco cheio de ver por aí... é o que mais tem nessa cidade... E hoje em dia, quem é que não tem um desses em casa, né? – imita um bêbado.
LURDINHA FINALMENTE ACHA UM VESTIDO VERMELHO E DOURADO, DE CIGANA, E PUXA DO BAÚ PRA FORA, MOSTRANDO PRA PLATÉIA POR TRÁZ DO “FAZ-TUDO”
FAZ-TUDO: Pronto! Já sei... Vou faz o papel de...
LURDINHA : Cigana!!!!!
FAZ-TUDO: Cigana!! É... aí eu coloco aquele vestidão grandão... umas flanela na cabeça... e... (PERCEBENDO) Ei! Peraí!!! O que você falou??
LURDINHA: Você é a cigana, Faz-Tudo!
FAZ-TUDO: Nã... Nã... não!!! Você pirou?! Eu vou fazer papel de mulé?? Nãããooo.... Pode deixando esse troço de teatro pra lá que eu vou lá pra dentro arrumar as coisas... (SAINDO) Tá maluca?
LURDINHA: Que isso, Faz-Tudo?? Que isso?? Você não quer ser ator?
FAZ-TUDO: Quero... Quero ser ator... E não atriz!! O que você acha que meu paizin lá de cima vai pensar?? Ele vai ficar doido lá em cima... Tão doido que eu vou sentir a puxada na orelha aqui embaixo... o bichin já deve ta se revirando no “túmbalo” já.
LURDINHA: Ei, Faz-Tudo!!! Você não conhece a arte do teatro não, cara?? Até parece que você não é um ator... e dos bons! Poxa... No teatro não tem essas coisas não... Ator não tem sexo!!
FAZ-TUDO: Ihhh... ele não tem, mas eu tenho.... Sou “Homem-sexual”, minha filha... Sou homem desde quando eu nasci se você quer saber...
LURDINHA COMEÇA A PERCEBER QUE ESQUECEU DO PÚBLICO
LURDINHA: Faz-Tudo! Olha pra frente... E me diz o que você vê... FAZ-TUDO To vendo que o meu negócio é continuar varrendo e arrumando, por que pobre não tem essas chances aí de sonhar não... Vem logo alguém querendo sacanear a gente...
LURDINHA: Presta atenção... Essa gente toda aí na sua frente! Me diz o que você vê!
FAZ-TUDO: Bem... Eu vejo um sujeito lá atrás que ta tirando uma parada do nariz... (FALANDO PRO SUJEITO) Ow! Não vai colar esse troço na cadeira não, hein?!!! Desgraça!...
Vejo a outra ali com uma coceira na calcinha...
Também tem um outro ali com... -----
LURDINHA ENTRARÁ NA DELE E FICARÁ FALANDO DAS PESSOAS TB!
LURDINHA: Oww!! (PUXANDO A ORELHA DO FAZ-TUDO)
FAZ-TUDO: Paizin?!?! (OLHANDO PRA CIMA E PROCURANDO SEU “PAIZIN”)
LURDINHA: Não é nada disso... Olha toda essa gente! Eles fazem parte do teatro... Olhando para eles eu vejo uma platéia à espera de um grande espetáculo. E para isso acontecer, tem que existir um grande ator... e quem é esse ator?? Quem é?? Quem é?
FAZ-TUDO: Eu! (BATENDO NO PEITO CHEIO DE ORGULHO)
LURDINHA: Isso aí, rapaz! É assim que se fala...
LURDINHA COMEÇA A VESTIR O FAZ-TUDO SEM ELE PERCEBER, ENQUANTO ELE FICA SE ACHANDO PARA A PLATÉIA.
LURDINHA: Você vai ver do que você é capaz, meu Grande Otello!! A arte vai começar a entrar pelas suas veias... As pessoas vão vangloriar o grande ator... o grande ator... Como é mesmo seu nome, Faz-Tudo?
FAZ-TUDO: Geninho!
LURDINHA: Geninho?! (BAIXINHO) Mas isso lá é nome de ator?!?!
FAZ-TUDO; É o que?
LURDINHA Não... Nada! ... o grande ator Geninho! E... tcharaannn!!!!!! LURDINHA ACABA DE VESTIR O FAZ-TUDO.
FAZ-TUDO: Ih! Que isso?!?! Que parada é essa???
LURDINHA: A partir de agora, você vai se chamar... ... Odara!!
FAZ-TUDO: Odara?!?! Tú é legal mesmo, hein?!?! Nomezinho safado esse... mas tudo bem... Que diferença faz? Já to todo cagado mesmo... VAI ENTRANDO NO FUNDO UMA MÚSICA DE DANÇA DO VENTRE E FAZ-TUDO COMEÇA A DANÇAR... APAGA A LUZ E FICA UM FOCO NELE DANÇANDO... DEPOIS DE UM TEMPO, LURDINHA GRITA.
LURDINHA: Para!!!! (BARULHO DE DISCO ARRANHANDO) Não, Faz-Tudo! Não é pra dançar não... Você tem que encenar... E-n-c-e-n-a-r!!
FAZ-TUDO: Tá, mas e vc? Tu vai fazer o que? Ficar só assistindo?? Vc tem que encenar também, Lurdinha!!! Sozinho eu não vou segurar essa “pemba” aqui não... (VAI NO BAÚ BUSCAR UMA ROUPA PARA LURDINHA)
Tá pensando que é só pobre que tem desgraça na vida?? Nãããooo.... Rico também chora, meu chuchuzinho! Eu aprendi que na vida a gente tem que fazer de tudo um pouco... Até aparador de cuspe do Daniel Azulay eu já fui, meu amor... Mas isso na época que ele fazia sucesso, né? Porque hoje... Hoje... (ENCONTRANDO A ROUPA DA LURDINHA) Hoje você vai ser o guariba do estacionamento... (ENCONTRA UMA FLANELA SUJA, UM PAR DE TÊNIS VELHO E RASGADO, UM COLETE DE GUARDADOR DE CARRO, TALÃO DE PAPEL COM UMA CANETA)
LURDINHA: Tá doido, Faz-Tudo? Eu vou ter que colocar isso aí?! FAZ-TUDO: Ué? Não foi você mesmo que falou que temos que fazer tudo pela arte???
Então... Agora é a sua vez de mostrar seu talento..
LURDINHA: .Mas com essa roupa aí não vai dar não...
FAZ-TUDO: Por que?
LURDINHA (ENCRENCADA): Porque... Porque... Porque... Por que não tem o boné!!! Tá faltando o boné!!!! Todo guariba que se preza leva o dia inteiro com aquele bonezinho baixinho na cabeça... ATÉ QUE FAZ-TUDO, AINDA DE BONÉ, ENTORTA O OLHO PRA CIMA FOCANDO SEU BONÉ, LURDINHA ACOMPANHA O OLHAR E SE VÊ SEM SAÍDA.
FAZ-TUDO: E aí?! Agora ta tudo certo, né?? Completa! LURDINHA Me dá esse troço logo aqui, vai!! (PUTA) Que saco!!!! LURDINHA COMEÇA A COLOCAR A ROUPA.
LURDINHA: Mas e agora?!?! O que uma cigana vai fazer com um guariba?!?! (SACANEANDO O FAZ-TUDO) E olha lá o que você vai responder, porque com essa sua cara aí eu não faço nem sexo contigo... (ZOANDO ELE) Tá maluco que eu vou te comer, né?!?! Você é uma cigana muito ruim!!! (RINDO)
LURDINHA: Já sei !! Vamos fazer um programa de entrevista, igual daquela moça (risos) aquela casada com o inglês roqueiro, que cantou na praia de Copacabana.(ao fundo entrada de SATISFECTION)
Pode chamar qualquer um aí da platéia, não importa muito não eu não vou deixar ele falar nada mesmo. Eu pergunto e eu mesmo respondo. Ele vai ficar só no eh, eh, eh.
FAZ-TUDO: Entrevistar eu também sei, é só elogiar e puxar o saco igual faz o Faustão, e não precisa nem ouvir a resposta.
LURDINHA: Procurando alguém na platéia, tem alguém ai disposto a contar sua vida, ao vivo e a cores para o Mundo.?
LURDINHA: Encontrei, você aí me parece doidinha para falar todas as suas mazelas. Pode subir, ( insista até ter uma vítima ). NOME: ? PROFISSÃO: DONA DE CASA ( NÃO IMPORTA O QUE ELA DISSER ) . DONA, de que? se tudo lá, ainda não tá pago. Se ele não correr logo os homem vem buscar rapidinho. E se conseguir pagar a enchente leva.
FAZ TUDO: (OLHANDO PARA A PESSOA QUE ESTÁ SENDO ENTREVISTADA E SE DESFAZENDO DA ROUPA DE CIGANA E COLOCANDO UM RELÓGIO DE PAREDE NO PULSO). Você é dos meus, não igual aqueles outros babacas que vem aqui e ficam chorando miséria, esperando por ajuda. ( fica repetindo esta frase por até quatro vezes ( sem ritmo e desnecessariamente) olhando sempre para a bunda da pessoa.
OS DOIS Fazem brincadeiras e comentário, tipo veio sozinha, o maridão sabe que você está aqui, quem é aquele que estava do seu lado, precisa dar chupão nele? , eu vi antes lá da coxia. Despedem-se da pessoa, agradecem a participação e pedem aplausos do público.
FAZ TUDO: E agora ?? Que fazemos ? LURDINHA Sei não, conte uma piada, invente uma estória, tire a roupa, ao ver aquilo tudo, eles vão morrer de rir.( MOSTRA METADE DO DEDO MINIMO)
VOZ Do fundo do palco, uma voz avisa: - Eles estão chegando..... D. Vivian acaba de estacionar seu carro e está vindo para cá. LURDINHA: Olhando para a platéia, - gente, não aconteceu nada aqui, vocês estavam esperando o espetáculo começar, cuidado não vão arriscar meu emprego. Por favor, não comentem nada.
FAZ TUDO: E agora, que que ela vai fazer sozinha no palco?, nos vamos é pagar o pato desse atraso todo. Da última vez que vi isso no Teatro ( lá no Dulcina ) metade da coxia foi demitida para justificar o atraso da Deusa.
VOZ: Eu falei, eles.... o Sr. Leandro, também está chegando, mas parece muito nervoso e com problemas
COMEÇA UMA CORRERIA NO PALCO SEM DIREÇÃO E PARA TODOS OS LADOS, PEÇAS SÃO ATIRADAS TANTO PARA FORA COMO PARA DENTRO DO PALCO, A DESORGANIZAÇÃO TEM QUE SER TOTAL.
LURDINHA E FAZ TUDO No palco se encontram de frente, e falam ao mesmo tempo, - o que você faz aqui ?? Seu lugar é na coxia.... Batem as mãos como jogadores de basquete, um na do outro e correm para trás do palco, em direções opostas.
PISCAM AS LUZES DO PALCO. APAGAM-SE AS LUZES, TOCAM A SIRENE ( PARA DAR TEMPO DOS ATORES SE TROCAREM ) TUDO TEM QUE SER O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL.
ENTRAM NO PALCO VIVIAN E LEANDRO, cada um por um lado.
ELA EM UMA MINI SAIA DE SALTO ALTO (DESLUMBRANTE), CARREGANDO UM PUNHADO DE BOLSAS DE GRIFE, COM COMPRAS DE SHOPPING E CABELO FEITO. (HORA DO MARKETING) (PROCURAR PATROCINADORES)
ELE COM O PÉ E BRAÇO ENGESSADO CARREGANDO UM VOLANTE DE CARRO NA MÃO BOA. VIVIAN: Boa noite, gente, desculpe fazê-los esperar. É que o dia foi muito corrido e meu cabeleireiro não tem o mínimo conhecimento desta vida da artista. Relógio para ele e instrumento supérfluo. LEANDRO: Tudo hoje, deu errado, bati com carro, xinguei a mãe do guarda, entrei na porrada, briguei com a companhia de seguros e fui parar em um pronto socorro Municipal, onde engessaram o pé errado e grudaram este volante na minha mão ( balança a mão tentando se livrar da peça).
VIVIAN: É gente, infelizmente não dá mais para ser hoje, nosso tempo chegou ao fim e vem aí um novo espetáculo que recomendamos para vocês se quiserem ver é só sair e pagar de novo, afinal eles não tem culpa de nada.
LEANDRO: Fica para a próxima vez se quiserem arriscar ver um bom espetáculo. Pedimos que não contem para ninguém o que viram aqui, apenas falem bem do espetáculo e convençam seus amigos e parentes a virem nos ver na próxima semana.
VIVAN GRITANDO PARA COXIA: – Vocês dois, que fizeram aqui que não explicaram ao público o que estávamos passando..? Voltem rápido, isso aqui não é casa da mãe Joana, o publico merece respeito..
LEANDRO: Não se fazem empregados como antigamente. Só pondo na rua para ver a vida lá fora como é dura. SAEM DO PALCO. ( CADA UM POR UM LADO SEM CUMPRIMENTOS, COMO SE CADA UM CULPA-SE O OUTRO PELO ATRASO). LIVRAM-SE DAS ROUPAS RAPIDAMENTE E...VOLTAM LURIDINHA E FAZ TUDO. LURDINHA: Se isso não der demissão, meu nome não é Lurdes. FAZ TUDO: Acabou meu sonho de empresário, ator, produtor e passista de escola de samba, tô arrasado.
OLHANDO PARA O PÚBLICO:- E vamos limpando cada uma seu espaço porque acho que nem para gari serei chamado mais. Olhem para ver se não esqueceram nada, carteira, dinheiro, pipoca, latinha de refrigerante e a companheira que você enganou trazendo aqui. ENTRE NO SOM - UMA BATUCADA DE ESCOLA DE SAMBA - LURDINHA E FAZ TUDO CONVIDAM AS PESSOAS PRÓXIMAS E AMIGOS PARA SAMBAREM NO PALCO. A PEÇA TERMINA COM TODOS CANTANDO "VAI PASSAR" DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA. |
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Ensaio
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Autor: Clóvis Stoquini
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19.09.09 |
A felicidade consiste em pequenos detalhes que fazem tanta diferença e nos dá a sensação de termos alcançado a perfeição. De detalhe em detalhe vamos construindo a nossa personalidade e moldando o nosso caráter. Ainda que para muitos sejamos uns tolos, na verdade somos uma raça superior, pois nos damos ao direto se sermos tão somente felizes sem, no entanto prejudicar o direito de outro também o serem. Usamos nossa criatividade a todo o momento esbanjamos energia positiva e produzimos eficiência. Embora estejamos no meio da multidão somos diferentes e por isso nos destacamos. Somos melhores, pois não ficamos na mesmice do feijão com arroz vamos onde ninguém ousou ir. Temos coragem de ousar de criar, insistir e de modifica hábitos. Não ficamos no limites da nossa fraqueza antes rompemos o véu da irracionalidade e criamos um novo marco, uma nova ordem um caminho novo que só cabem os que realmente tem coragem de fazer o melhor.
Bom é estar de pé depois de ter enfrentado grandes perigos numa luta descomunal Fácil é vencer o que já estar derrotado. Difícil é enfrentar os que se recusam a cair. Meu amigo eu prefiro enfrentar os que se reusam a cair, pois que graça tem levantar o troféu se nem houve uma luta sequer. Sou um vitorioso já que meus adversários continuam lutando e se recusam a cair, espero que eles não desistam para que minha vitória não seja ofuscada pela falta de combate, mas antes engrandecida pelo furor da batalha e a honra de ser sempre um vencedor. Deus é minha bandeira, Cristo é o meu escudo e a fé minha espada.
A luz que frui de meus olhos traz novas esperanças e alegra um coração triste e satisfaz um espírito cansado.
Pela luz dos meus olhos a vida flui mansamente como quem saboreia uma fruta muito rara e saborosa.
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Ensaio
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Autor: FERNANDES
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17.09.09 |
Tentando lembrar dos escritos por mim deixados na praia vou me perguntando: _ De que valeram os escritos deletados pelo mar e os poucos publicados? _ Nada! Esta é a resposta certa. Meus escritos de nada valem, pois não chegaram aos ouvidos da platéia não preenchem páginas, nem mil títulos com resenhas nas bibliotecas, no mais ocupam a lista de itens excluídos recentemente, quando muito a caixa de entrada entre as mensagens não lidas. Então para que escrever? Escrever seria a fuga, o simples despejo de palavras, sejam elas de afeto, reflexão ou raiva, sobretudo aquelas que tememos dizer frente às pessoas, as quais nutre-se algum sentimento de afeto, em geral, poemas e frases que julgamos serem de efeito, não passariam apenas de refúgio para todos os problemas, da vida, ou mesmo da humanidade, quem sabe apenas uma maneira de ser uma voz no meio da multidão, aquele que pensa diferente, que quer mostrar o que se pensa e sente, mas para tanto, publicar já teria bastado? Ter passado ao papel, já teria descarregado toda angústia, mágoa, frustração, alegria que foram poucas. Quem sabe? Mas não. Palavras buscam ouvintes, textos leitores, e pessoas reconhecimento, aplauso. Poucas são aquelas que se mantêm indiferentes a um elogio comentário crítico, é muito interessante ver pessoas comentando metáforas e atribuindo a elas um cem número de sentido dos mais diversos, cada qual mais distante do sentido original ou intencional da própria metáfora.A teoria já é tão antiga que nem vale mais continuar. Porém a escrita busca em sua essência ressonância, reciprocidade, alguém que esteja passando, sentindo algo de mesma intensidade, ou que no fundo apenas acredite que sente ou entende o que ali fora escrito. Eu não me julgo maior nem menor poeta por não preencher as prateleiras das bibliotecas, as páginas dos jornais, por não ter crianças nas escolas estudando-me, procurando nos meus poemas fazer análise sintática ou quem sabe morfológica, por não ter sequer uma linha que me critique ou mesmo faça referência a um texto meu, sabe porquê? Por que não escrevo para ninguém mais, a não ser para mim mesmo, e acho que todo poeta é um pouco assim também, pois antes da idéia ir para o papel ou até mesmo depois de ir ao papel passa por ele, a decisão se aquilo tem valor artístico ou não, se compensa publicar ou não, vocês querem ler meus poemas secretos, contudo não leram ainda nem aqueles que já publiquei, sequer tiveram o cuidado de catalogar e perceber que todos que virão, ou que já passaram é só reprise do que já viram. Viver é repetir-se de forma diferente todo dia, eu não pensava assim, na verdade eu pensava e penso só não tinha essa consciência tão clara e nítida das coisas. E àqueles que pensam que terminei, esqueçam! Pois entrarei agora com mais intensidade, e constância invadirei seu espaço sem pedir licença, mesmo! Valendo-me de toda licença poética, olha só licença para poetar? Que mundo é este, eu não preciso de licença para criar, nem tampouco, de ler bulas e receitas para ter poemas, eu sou livre “e ser livre é coisa muito séria, não se pode olhar para trás sem se aprender alguma coisa para o futuro”, e hoje eu aprendi e quis a minha maneira compartilhar com vocês.
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